Marketing
Estive em Abril no V Newscamp, organizado pela Ceila Santos. Para mim foi muito difíci participar já que o formato adotado é o de “desconferência” onde todas as pessoas tem o mesmo poder e autoridade para falar. O que na teoria e utopia democrática é muito bonito, na prática em vez de todos participarem quem tem mais fôlego e fala mais alto acaba prevalecendo. Assim, ao tentar superar o modelo de um só palestrante falando, chega-se ao de um palestrante aleatório em que todos tem que contar com a sorte de dizer coisas bacanas. Assim, ainda acredito em um modelo mais aberto só que a ajuda de uma moderação para que se realize a verdadeira democracia e colaboração de todos.
Fiquei apenas uma hora, mas nessa hora deu para ouvir muitas coisas legais. É raro estar na presença de tanta gente que não estranha quando falamos detalhes de mídias sociais. A maioria das pessoas dali eram de agência de relações públicas. E o principal tema era: “Qual é o papel da Agência de Publicidade X Relações Públicas na estratégia de mídias sociais de um empresa?”. A questão que deve gerar confusão até para muitas empresas ao escolher um fornecedor foi colocada como o papel da Agência de Publicidade é nas ações de “gerar venda” e a de relações públicas nas de “proteger a marca”.
Essa visão não foi unanimidade e o debate se arrastou por mais de uma hora. A questão é: Será que as agências sempre executaram um determinado serviço e agora com as mídias sociais deve-se apenas transportá-lo para esse novo meio? A verdade é que as mídias sociais não são uma evolução, mas uma revolução, um novo paradigma. Ao tentar usar as estratégias “unidirecionais” e compartimentadas de relações publicas, publicidade, atendimento e RH como coisas distintas e desintegradas, perde-se totalmente o principio básico da web 2.0 que são as conversações e a colaboração. Afinal esses tem que se realizar de forma integrada e não parte da empresa ou parte de um processo.
O desafio para as agências é se integrarem com a cultura da empresa e passarem a ter um papel mais estratégico, sem isso será sempre uma eterna briga de agência X cliente. E parece que pouco impacta o histórico de RP ou de Publicidade do fornecedor, mas sim o comprometimento com a missão e os objetivos estratégicos da empresa, muito mais do que uma demanda pontual.
As redes sociais são vistas por muitas empresas como o “milagre do marketing”, algo que se investe nada (afinal criar um blog no Blogger ou um Twitter é de graça) e se obtém um enorme retorno já que todos twitteiros e usuários da web vão lê-los loucamente. Porém, a realidade não é bem assim.
A Web 2.0 e as mídias sociais (Orkut, Youtube, Blogs, Orkut e etc) têm sim um enorme potencial para melhorar as empresas e trazer enormes resultados. No entanto, não se trata (pelo menos por enquanto) do “milagre do marketing”! Sim, ainda para conseguirmos divulgar uma marca precisamos investir dinheiro e mais do que isso, pensar e planejar, isso significa: ter estratégia! Ou seja a frase “o sucesso é 99% transpiração e 1% inspiração” continua verdadeira, mesmo em épocas de grandes avanços tecnológicos.
Fazer branding, criar relacionamento ou gerar vendas nas Mídias Sociais está mais do que comprovado que é possível nas mídias sociais como a Dell e a Zappos fizeram. Entretanto para fazer isso é necessário esforço e dedicação, como:
- um razoável investimento (proporcionamente muito menos que o Marketing tradicional, mas é significativo). A Tecnisa tem um profissional (e não é um estagiário) dedicado full-time às Mídias Sociais
- uma estratégia muito bem definida e bem implementada. A Dell vem desenvolvendo seu twitter que gerou 1 milhão de dólares há meses, não foi para a a campanha do mês ou para bater a meta da semana que foi criado esse espaço
- uma cultura de participação / colaboração na empresa. A Zappos tem mais de 400 funcionários twittando em nome da empresa
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